20.2.08

A Notícia

*Eu mesmo escrevi, não plagiem!! Direitos autorais!! xD*


Ivy ainda estava na sala de sua casa. Adormecera no sofá sem perceber, de tão cansada que estava do dia anterior. Assim que acordou, se levantou de um salto e abriu as cortinas da janela, deixando luz do dia entrar. Correu então para a mesa e pegou um pequeno bilhete, deixado ali, por ela mesma, na noite anterior.

“É horrível”, pensou ela desesperada ao lê-lo, como se esperasse que durante a noite o bilhete tivesse mudado.

Um telefone tocou no aposento ao lado e impediu-a de continuar com seus pensamentos sombrios. Dirigiu-se então até a outra sala e rapidamente atendeu a ligação. Ligação a cobrar. Nas atuais circunstâncias, ela decidiu atender.

– Alô? Ivy?

– Matt? É você? – perguntou ela com a voz já alterada.

– Sim, sim... sou eu. – respondeu ele sem animação – Já soube o que aconteceu?

Ivy tremeu antes de responder. Sentou-se numa cadeira, mas mesmo assim permanecera em silêncio.

– Ivy? – insistiu o outro – Ainda está aí?

– Estou. – respondeu ela distraída – Eu...

– Você já soube?? – repetiu ele.

– Eu... Já soube de Luke. Fui com ele até o aeroporto.

– Luke? – espantou-se ele – Pra onde ele foi?

– Voltou para a França. – disse ela confusa e claramente abalada – Não era disso que estava falando?

– Não! Ivy, Julie está morta.

Ivy não soube por quanto tempo demorou para responder, para simplesmente dizer algo. Ficara em choque e não era para menos. Três mortes haviam abalado sua vida nos últimos três meses e Ivy sentia que isso ainda não estava nem perto do fim.

Ela se recostou na cadeira e se lembrou do primeiro dia em que se encontrara com Julie, a mestra que lhe guiaria naquela misteriosa e excitante vida dentro da Irmandade.

Fora numa biblioteca. Julie, com apenas alguns anos a mais que ela, parecia muito mais esperta e experiente ao lhe explicar sobre a Irmandade. Sentadas num canto da biblioteca, um caderno e um livro antigo sobre a mesa, Julie mostrou os primeiros passos que Ivy deveria percorrer. No começo, tudo pareceu irreal, uma fantasia adolescente idiota, mas que Julie a fez pelo menos tentar acreditar e depois...

– Ivy! Ivy! Você está aí? – gritava Matt do outro lado da linha – Você está bem?

– Eu... sim, sim... – balbuciou ela vagarosamente – Onde... onde você está, Matt?

– Estou indo pra Londres, Ivy... Posso ir até sua casa quando chegar? Precisamos... precisamos conversar sobre isso.

– Ah, sim... – Ivy sentiu-se levemente desconfiada, porém, aceitou – Ok, Matt... Você vem sozinho?

– Isso, Ivy, e... – ele ficou embaraçado – Tome cuidado, ok?

– Ok...

Ivy desligou e voltou a pensar no que estava havendo. Julie morta, assim como os outros? Como isso era possível?

Ela voltou para a outra sala e arrumou os papéis sobre a mesa. Empilhou-as em um canto e então pegou o bilhete e encarou-o novamente:

“Lindsay desapareceu. Ainda estou investigando.

Tome cuidado,

Fergus”

“Tome cuidado”, repetiu ela consigo mesmo. Se ao menos soubesse com o que deveria se preocupar, ela se sentiria mais segura, mas não... Não havia dicas, não era um treinamento, nem uma brincadeira. Era a realidade. A mais pura e cruel realidade, na qual a morte não espera e não tem piedade, e pior, ataca pelas costas.

Sua vida possivelmente estava em risco e a morte de Julie só havia confirmado essa sua idéia. Já havia passado da hora de agir, agora seria uma corrida contra o tempo.