31.8.08

Um Mistério

*Eu mesmo escrevi, não plagiem!! Direitos autorais!! xD*

A noite caiu depressa na praça central daquela pequena cidade de Bearsden, nos arredores de Glasgow. A luz do dia que permitia perceber o mármore branco da fonte sumiu e ela tornou-se uma disforme sombra na noite. Fergus, no entanto, permanecia sentado num banco de madeira, na direção da igreja no fim da praça.

“Um local calmo e silencioso”, pensou ele. “Perfeito para uma emboscada, eu diria”. Mesmo na presença desses pensamentos negativos, Fergus não se atreveu a sair dali, sem antes conseguir algumas respostas.

As mortes de seus amigos não poderiam ter uma solução encontrada pela polícia, mas ele com os recursos e conhecimentos da Irmandade poderia levar adiante sua curiosidade e sede de justiça e... por que não? Vingança também.

Sally, Keith e Joan haviam sido mortos nos últimos três meses. E há poucas horas, ele havia recebido a notícia da morte de Julie Carrow. Definitivamente algo estava errado, e Fergus não se contentara em esperar, tinha que agir mesmo não sabendo muito bem como.

E então como se tudo estivesse planejado, ele recebera uma mensagem de August Tibar, o agente externo da Irmandade.

Numa rápida carta, Tibar chamou Fergus para aquela pequena cidade da Escócia e mandou-o esperar na praça central até que ele chegasse. E então Fergus obedeceu.

Viera, porém, desconfiado com o chamado apressado de Tibar, o “Externo” como os antigos integrantes da Irmandade o chamavam. Ele nunca era visto com freqüência, e isso causava uma grande curiosidade na segunda geração do grupo, da qual Fergus fazia parte.

Fergus tentou se lembrar, enquanto esperava, das poucas vezes em que se encontrara com Tibar. Todas as lembranças que surgiram, retratavam Tibar como um jovem comum, que nunca demonstrava suas habilidades, mesmo entre os próprios membros do grupo. E isso causava estranheza, principalmente entre a segunda geração que menosprezava a utilidade do agente e questionavam a presença dele na Irmandade. O próprio Fergus pensava assim.

Mas isso não vinha ao caso agora, afinal, a Irmandade já não existia mais e ele, assim como Tibar, tinha que se portar mais como uma “pessoa normal”, e não mais como um membro da Irmandade, agraciado com poderes especiais.

Um leve barulho de passos ecoou do outro lado da praça e Fergus empertigou-se no banco, de modo a ficar à vista e poder observar bem quem se aproximava. Pela rua ao lado da igreja, um vulto caminhava lentamente até a praça, não se podia distinguir seu rosto, mas Fergus pressentiu que deveria ser Tibar. Não conseguia sentir nenhum tipo de ameaça vinda daquele vulto e isso o deixou mais tranqüilo.

Quando o vulto chegou à praça, rumou para o banco no qual Fergus estava e só então seu rosto pôde ser visto. Era um rapaz de cerca de uns 22 anos, mas com visíveis marcas do tempo estranhamente estampadas em seu rosto. Seus cabelos loiros estavam bagunçados e com a cabeça baixa se encurvava devido ao frio, encolhendo-se dentro do sobretudo preto.

Usava óculos pesados, com uma grossa armação que lhe conferia mais idade ainda. Assim que alcançou Fergus, August Tibar sentou-se ao seu lado e encarou o rapaz calmamente. Encarou-o com seus olhos escuros e esperou que ele dissesse algo, mas Fergus nada disse e então Tibar começou:

– Sinto muito por tudo, O´Brien. Não sabe o quanto sofro ao saber do que aconteceu com Julie...

– Eu sei, Tibar. – cortou Fergus – Mas não vim até aqui para ouvir o que sente pelo que aconteceu. Vim até aqui atrás de respostas. E você parecia ter algumas.

Tibar recostou-se no banco e tirou os óculos do rosto, parecendo com isso rejuvenescer alguns anos. Com uma das mangas ele começou a limpar as lentes dos óculos e então recomeçou a falar:

– Algo de muito ruim começou a acontecer, você já viu. E nós da primeira geração tememos que isso aconteceria.

– E não fizeram nada.

– Não podíamos fazer nada. – respondeu Tibar recolocando os óculos – Um pacto nos deixava em silêncio e nos impedia de revelar qualquer coisa.

– Isso é ridículo. – exclamou Fergus, liberando toda raiva e má impressão que tinha do outro.

– Você não entende. Mas logo vai entender...

– Pare de enrolar e diga logo. Três dos meus amigos morreram por causa de um estúpido pacto entre vocês!

Tibar não respondeu, abriu o sobretudo e de um bolso interno retirou um pequeno caderno. Abriu-o e na primeira folha, pôde-se ver uma lista de seis nomes escritos. Ele estendeu a mão e passou o caderno para Fergus que leu os nomes rapidamente.

– Quem é Sandy Dohen?

– A primeira pessoa que morreu por causa desse pacto.

– Ela era da Irmandade? Nunca a conheci...

– Ela morreu antes que a segunda geração surgisse. Antes que nos déssemos conta de tudo.

– Como nunca ficamos sabendo dela? Por que nunca disseram nada?

– Não era necessário. Vocês não precisavam saber, mas agora precisam. Vá atrás de tudo que se relacione à ela e só então poderá alcançar as respostas que procura.

– Só vai me dizer isso? – exaltou-se Fergus – Não vai me dizer o que está acontecendo?!

Tibar se levantou e o outro fez o mesmo. Ambos encararam-se por um momento antes que o agente “Externo” continuasse.

– Não posso dizer mais, O´Brien. O pacto me impede. Logo você vai descobrir. O pacto também foi selado entre vocês.

– Eu não selei pacto nenhum!

Tibar sorriu e então começou a andar pelo caminho que viera.

– Ficarei em contato, O´Brien. E então poderei lhe ser mais útil do que uma “pessoa normal”.

27.8.08

Equilibrium.

How long dudes!
É, pra falar a verdade nem sei porque estou postando hoje. =P
Quarta feira, dia de meio de semana, cheio de textos pra ler e resenhar, aula cedo no dia seguinte, débito de horas de sono e muito mais coisas que minha cabeça já danificada não consegue lembrar.

Bom, surgiu em minha mente esse assunto: Equilíbrio.
Algo que, em muitos momentos, considero uma utopia. Ou algo muito difícil de se conseguir.
Acho que isso pode ser considerado tanto numa escala individual como numa escala humanística mesmo.
Por quantas coisas a humanidade já passou e se ferrou, e se levantou e quis continuar no caminho "da perdição"?
Por que é tão difícil se contentar com o que se possui ao invés de correr atrás de algo desejoso, mas incerto e perigoso?

Essa deve ser uma das questões da natureza humana que durante séculos atormentou a vida de filósofos no passado e até hoje permanece sem resposta.
Mas, na realidade, pra que saber a resposta?
"Saber todas as respostas faz o jogo perder a graça", já dizia alguém que não me lembro.
A vida é feita exatamente dessa incerteza e desconhecimento sobre o mundo e sobre si mesmo.
E esse sentimento curioso da mente humana choca-se violentamente com essa prerrogativa.
E cá temos novamente: a eterna agonia da humanidade, essa dualidade infinita em nossas almas.

Nem vou falar mais nada.
Acho que todo mundo que se considera "humano" deve saber o que é isso.
É, reflexão é a chave.
Só não achei a porta ainda.
=P

22.8.08

An Attempt To Tip The Scales

É, mais uma tradução que tive que fazer porque não tinha na net. :P
Dá um certo trabalho, mas vale a pena.
É, e novamente, mais uma música do Bright Eyes, An Attempt To Tip The Scales, uma música que eu curto muito (difícil é achar uma deles que eu não gosto né?). Ela é toda cheia das tais metáforas e interpretações subliminares (ou não) comuns das letras deles.
Taí, espero que esteja boa, qualquer erro só me avisarem.
=P





An Attempt To Tip The Scales -

Uma Tentativa de Pesar a Balança


Did you expect it all to stop

Você esperava que tudo parasse
At the wave of your hand?
Com um movimento de sua mão?
Like the sun's just gonna drop
Como se o sol simplesmente fosse se pôr
If it’s night you demand
Se é noite que você deseja
Well, in the dark we are just air
Bom, na escuridão todos somos livres
So the house might dissolve
Então a casa poderá se dissolver
But once we're gone, who's gonna care
Mas assim que nós partimos, quem se importará
If we were ever here at all?
Se nós estivéssemos aqui de verdade?
Well, summer's gonna come
Bom, o verão logo chegará
It’s gonna cloud our eyes again
E irá enevoar nossos olhos novamente
No need to focus
O foco não é preciso
When there's nothing that's worth seeing
Quando não há nada que valha a pena enxergar

So we trade liquor for blood
Então trocaremos bebida por sangue
In an attempt to tip the scales
Numa tentativa de pesar a balança
I think you lost what you loved
Acho que você perdeu o que amava
In that mess of details
Nessa confusão de detalhes
They seemed so important at the time
Eles pareciam tão importantes àquela hora
But now you can’t even recall
Mas agora você mal consegue se recordar
Any of the names, faces, or lines
De nenhum dos nomes, rostos ou caminhos
It's more the feeling of it all
É mais o sentimento disso tudo
Well, winter's gonna end
Bom, o inverno logo acabará
I’m gonna clean these veins again
Eu irei limpar essas veias novamente
So close to dying that I finally can start living
Tão perto de morrer que eu finalmente posso começar a viver

15.8.08

"On/Off"

As noites vêm e vão, e em muitas delas fiquei em claro.
Mas não por falta de sono.
Os pensamentos fervilham na cabeça, os sentimentos apertam-se na garganta e os ouvidos zumbem no silêncio.
Que falta faz um simples botão de liga-e-desliga em meu cérebro.
Um simples interruptor que mudaria tudo do "ON" para o "OFF".
A escolha de pensar não é mais voluntária, os pensamentos se atropelam e quando me percebo, estou conjecturando conspirações e assuntos profundos e dos quais sequer me lembrarei na manhã seguinte.
A única marca dessa atividade cerebral noturna é o cansaço no dia seguinte. Mas até à isso me acostumo.
Todas as coisas que poderia ter feito e dito durante todo o dia reprisam-se diante de meus olhos. Todos momentos de conflito e paz do dia acontecem novamente diante de meu rosto.
Á noite, o controle se esvai.
A loucura toma conta e a lucidez se revela um mero instrumento movido à energia solar.
Enquanto tudo acontece fica mais uma pergunta. "Não está na hora de dar um jeito nisso?", ao que meu alter ego rapidamente responde: "A única solução para uma vida é a morte".
Argumento irrefutável, e o "Outro" se cala. E "Darth" vence outra vez.
O sentir de uma noite complementa-se ao das noites anteriores e configura uma grande tela, à mostra na mente, mas invisível aos olhos. E à cada vez que os olhos se abrem, tudo some outra vez. Tem coisas que só na mente são possíveis. Ou visíveis.
O escuro, ainda no quarto, permanece e acho que nunca partirá para sempre. Sempre voltará depois que a luz se despedir da companhia diária.
O escuro. A escuridão que desperta os brilhantes pensamentos inquietos.
Droga.
Quero um botão "On/Off" urgente...

11.8.08

Traição

Existem momentos em que o silêncio deve vencer.
Existem momentos em que dizer palavras ou erguer os punhos não leva à nada.
Existem momentos em que você é seu único e melhor companheiro.
Pois é, existem momentos em que tudo que se consegue fazer é parar, ficar quieto e esperar.
Tá, depois de ler a X-Men desse mês tive um momento meio assim. ;D
No fim da edição, a velha vilã conhecida Mística deu um tiro certeiro em Vampira, revelando sua traição dos X-Men, que a tinham recebido na equipe alguns meses atrás.
Apesar de sempre ser merecido ter um pé atrás com esses tipos, eles a acolheram pensando em sua resignação e arrependimento por atos no passado.
Vã ilusão.
Cara, traição é a pior coisa que existe.
Em todos graus, números e gêneros. xD
Sei lá, toda vez que essa palavra vêm à minha cabeça, eu lembro de uma frase que não sei de onde ouvi, nem sei se fui eu mesmo que inventei: "Trair é verbo intransitivo".
É uma coisa muito metafórica. Até mesmo pra mim, mas eu encaro bem por esse lado.
É uma coisa odiosa mesmo.
E não é uma questão de traição somente de relacionamentos não. Todos tipos de traição. Amor, amizade, confiança, tudo!
Ah, sei lá, fico muito puto com essas coisas! xP
Dizem que "perdoar é uma virtude", mas não sei se essa "virtude" vale a pena num caso "intransitivo" desses.
Pra seguir a mesma linha de raciocínio: "Perdoar é verbo transitivo direto". (muito direto demais, eu diria)
Ah, mas claro, depende de cada um né...
Pra mim, muitas vezes essa tal "virtude" não serve pra nada.
Mas, cada um é cada um né...