21.5.10

Carrossel Desgovernado

Alguém aí já brincou no carrossel?
Gostou?
Imagina sentar num daqueles cavalinhos, esperar o motor do brinquedo ligar e perceber, à cada segundo, que a velocidade está aumentando. E mais.
E mais.

Então, a velocidade começa a tornar-se incômoda.
Os pontos de referência que você reconhecia lá fora, não são mais visíveis.
Você tem de segurar com força no seu cavalinho pra não escorregar e cair.
O motor do brinquedo parece dar novos arranques, anunciando que a velocidade deve aumentar ainda mais.

Os ocupantes dos demais cavalinhos ao seu redor parecem começar a dar sinais de desistência.
Uns se abraçam ao veículo com toda força.
Outros se deixam levar pela velocidade e tombam serenamente.
Enquanto outros se agarram com toda força mas são, agonizantemente, vencidos pela velocidade implacável e são arremessados para fora do brinquedo.

Não sei se alguém consegue ver isso, mas é exatamente assim que eu me sinto, vivendo nessa rotina alucinógena que temos na facul.
São tantas coisas a fazer e deveres a cumprir que TUDO parece girar. Girando como num carrossel.
E em velocidades muito altas.
Deixa-nos sem ar.
Sem movimento. Sem controle.
Atados à rotinas de acontecimentos dos quais não temos controle nenhum.
Um verdadeiro carrossel desgovernado.

Bom mesmo era a época na qual eu só relacionava o movimento de um carrossel com um simples brinquedo pra se ficar girando lenta e inocentemente...

11.5.10

Engraçado Como As Coisas São

Teus olhos se aproximaram.

Teu rosto colou-se ao meu.

Não consegui identificar meus lábios tão próximos dos teus.
E quando meus olhos tentaram se fechar, enxerguei você.
Estranho.
Onde estava a habitual escuridão de quando os olhos se cerram?
Abri-os devagar novamente e tu estava com os olhos fechados.


Engraçado como as coisas são.


O frio que fazia lá fora parecia ter ocorrido há meses, anos atrás.
Ali eu sentia teu calor e tua presença me bastava.
Sentir teu corpo em minhas mãos e ter, por poucos ínfimos momentos que duraram a eternidade, a certeza de que há algo de bom na rotina louca de tua vida.
Apenas fiquei ali. E tu também.

Alguns momentos que me equivaleram à uma redenção. A libertação de pensamentos atormentadores de semanas, mas que pareceriam anos.

Mas que, sem dificuldade, também pareceriam meras horas num dia quente de verão.



Um beijo e nada mais.
As coisas são estranhas sim.

Nunca se sabe o que se encontrará atrás de uma porta fechada ou num corredor deserto.
As coisas ocultas entre a tênue cortina do certo e errado parecem brincar com nosso destino e por mais que eu queira dizer que não me importo, que sou forte, eu me importo sim.
Bastante.
Mas o que tiver de ser, será.

Com ou sem minha insistência, com ou sem teu medo, com ou sem minha ansiedade, com ou sem tuas dúvidas.


Engraçado como as coisas são.
Ficção e realidade são, no fim das contas, a mesma coisa.
O estranho e interessante é quando tu deixa de se preocupar se isso faz diferença ou não...

4.5.10

"Whatever Happened, Happened."

Uma das coisas que mais odeio e gosto ao mesmo tempo é ter epifanias.
Pra quem não conhece o termo, peguei um dicionário explicando intelectualmente tal termo de modo que eu jamais conseguiria... hehe
Bom, de acordo com o dicionário do UOL, aí vai o significado de epifania:


1. Fig. Percepção intuitiva da essência, do significado de algo ou da realidade, por meio de algo corriqueiro, inesperado; REVELAÇÃO.

Pois é.
Acho que deu pra entender não?
Ter estas tais epifanias, do nada, ao estar fazendo nada, assistindo aula, pegando ônibus, conversando com amigos ou desconhecidos, simplesmente ter uma revelação pressionada contra seu cérebro, como se uma entidade superior tivesse simplesmente apertado um Ctrl + V de uma verdade absoluta [e absurda] diretamente sobre sua consciência.

É isso.

Evitando partes extremamente estranhas e pessoais dessa epifania do dia, posso dizer que nunca, nunca mesmo, nunca nunca NUNCA me senti tão crescido. Amadurecido mesmo.
E por alguma estranha razão [ou nem tanto assim] algumas cenas antológicas de meu seriado preferido [todo mundo já sabe qual... haha] se imprimiram [novamente!] de maneira letárgica e marcante em minha mente:


"– Porque o que aconteceu, aconteceu."

E

"– Eles chegam. Lutam. Destroem. Corrompem. E sempre termina do mesmo jeito.
– Só termina uma vez. Qualquer coisa que aconteça antes disso é apenas progresso."

[entre outrar que não posto pra não acabar com a paciência do povo-leitor]

Acho que deu pra entender, né?
Não há razão para a histeria da vida. Para o desespero. As coisas que devem acontecer, acontecem. Simplesmente.
E, na maioria das vezes, de que adianta ficar insistindo, esperneando, esmurrando paredes e chutando tudo que há pela frente?!

Enfim, pararei com elucidações e pensamentos sem sentido [mas que pra mim fazem um sentido colossal!] e encerrarei esse post com uma citação:


"– Estou aqui porque eu estava destinado a estar aqui."

=)