31.8.09

Kody

"Kody se sentou naquela avenida e colocou seus pés pra ouvir o som da barulhenta avenida.
Ele viu a luz sumir por entre os cacos de vidro e pensou: "Eu não tenho razões..."
Assim que foi e assim que ainda é.

E agora está claro para todos nós.
Nós mantemos esse punhado de sonhos despedaçados e os exibimos quando precisamos deles por perto.


Então, por favor, me passe a garrafa, acho que estou sozinho agora...

E, por favor, me dê uma direção, acho que a dor começou

E eu não sinto nada...


Há uma dobradiça que range no portão dos fundos que nos permite saber quando ele chegar.
Mas, tanto faz, eu não durmo bem mesmo.
E se você nunca ouviu o silêncio, ele tem um som horrível.


Então, por favor, me passe a garrafa, acho que estou sozinho agora...
E, por favor, me dê uma direção, acho que estou desmoronando

E eu não sinto nada...

Eu não sinto nada, não, nada...


Não há nada de bom para se sentir por aqui.
Não se deite assim na avenida.

Eu poderia dirigir, mas leva tanto tempo pra se chegar lá.

Não saia de perto dos cacos de vidro, da cena do cadillac...

Bem, eu tenho visto muitas coisas boas morrerem e estou muito emocionado agora...


Então, por favor, me passe a garrafa, acho que estou sozinho agora...

E, por favor, me dê uma direção, acho que a dor começou

E eu não sinto nada...


Então, por favor, me passe a garrafa, acho que estou sozinho agora...

E, por favor, me dê uma direção, acho que estou desmoronando...

Mas isso não é nada...
"

[Num dia que o Rob Thomas respondeu um tweet meu, nada melhor do que uma bela composição dele por aqui. Kody do Matchbox Twenty, difícil dizer, mas acho que uma das que mais gosto deles.]

26.8.09

8 ou 80

Sempre é assim.
Dois lados sucedem-se. Dois jeitos se trocam.
Coisa doida, admito.
Mas, às vezes, nego até a morte. Talvez além da morte.


Cara de poucos amigos ou uma incapacidade de parar de rir.
O mp3 largado no fundo da mochila ou grudado às orelhas no volume máximo.
O sol brilhando à pino ou a chuva molhando teus ossos.
Um otimismo em cada olhar ou um sentimento suicida em cada ato.
Um apaixonado até a última gota de seu sangue ou um ser semi-morto apenas de passagem pela vida.
Uma pessoa que te ajuda até você implorar pra que vá embora ou alguém que te despreza pelo simples fato de respirar na sua frente.


Um extremismo pessoal. Um vício impregnante até a alma.
Uma obsessão virtuosa que te faz andar, de olhos vendados, numa corda bamba sem nenhuma rede de segurança por baixo.
Ou com duas redes. Por mim tanto faz.

É, tudo ou nada.
Sempre.
Quem me entende? Eu não, com certeza.

17.8.09

Imagens Embaçadas

Era uma baderna. Gritos, vivas, comemorações.
Rodas separadas de garotos e garotas enchiam a calçada e parte da rua, atrapalhando o trânsito, mas ninguém se importava.
Era realmente uma baderna.

Sujos dos pés à cabeça, os trinta e poucos novatos tentavam se reconhecer e conversar poucas palavras com os demais.
E, ao mesmo tempo, diversas outras pessoas os importunavam e exerciam o "poder merecido" sobre aqueles que ainda eram "reles iniciantes".


Mal me lembro das vozes e rostos felizes daquele momento.
Surgem em minha mente como imagens borradas, através de um espelho embaçado ou vozes cheias de ruídos como num rádio mal sintonizado.

O tempo se encarrega de te fazer focar no presente e delegar um ínfimo espaço da memória para se encaixar na posteridade.

Lembro-me mal e mal dos poucos ao meu redor.
A tinta secando à pele, o gosto de terra na boca, a lama escorrendo por dentro da camiseta.

Camiseta essa que joguei fora, ainda bem que não gostava tanto assim dela.
Realmente, era ridículo.
E ao mesmo tempo não parávamos de sorrir, mesmo contrafeitos e receosos com as coisas que se seguiria.

E então, um dos indivíduos atacantes segura-me pelo pulso e me puxa. "Ah, você vai conhecer suas companheiras de turma", diz ele com um sorriso maldoso. "Lá vêm...", imagino.
A roda se aproxima e as garotas se viram, tão sujas e destruídas como eu ou qualquer um dos outros rapazes, porém com os mesmos sorrisos tolos no rosto.
Mas o fato da falta de cabelo me deixa mais inseguro que o normal.
E isso já me basta.

Apresentam-nos e depois de uma curta troca de palavras, sinceramente, não gosto da primeira garota e o "tal indivíduo" me empurra pra segunda.
Uma rápida conversa engrena, passando por cachaças e pessoas de lugares longínquos, e uma simpatia aparece...
Mas na hora nunca damos atenção à isso, não é mesmo?
Só depois que o tempo age, os pequenos fatos de algo mais grandioso se delineiam, mostrando detalhes mal compreendidos, erros valorosos e virtudes absurdas.
Mas tudo, com certeza, já estava lá... por detrás de imagens embaçadas.
E só então, sim, nos prendem a atenção.

[Reminiscências vêm e vão em minha mente com uma velocidade e significado aleatórios, mas sim, é mais do que baseado em fatos reais.]

16.8.09

Fora do Lugar

Estranho quando você percebe que as coisas estão do mesmo jeito de sempre mas você não se sente do mesmo jeito em relação à elas.
Isso acontece em relação à tudo: às aulas, à faculdade, aos amigos[as], namorados[as], simples coisas quaisquer que cruzam seu caminho todo dia e mesmo absurdas coisas que não acontecem com frequência.
Tudo
.


Parece que arrancaram seus olhos e colocaram outros no lugar.
Outros olhos que têm uma opinião e experiência totalmente diferentes das que você estava habituado.

Sempre achei que me adaptava muito bem à mudanças, e de certo modo até aprecio estar sempre em mudança, pra não permitir que o infalível tédio sobreponha-se sobre a vida.
Mas às vezes as coisas não se encaixam direito.

É inútil reclamar, mas as coisas realmente estão fora do lugar.
Não sei se sou só eu, mas pra todo lugar que olho vejo o "errado" e totalmente fora do meu alcance.
Meio complexo e absurdo demais [tenho consciência disso], mas não consigo não pensar nisso...


Estando no fim das férias, creio que seja apenas um absurdo vendaval que tenha passado pela minha cabeça, anunciando o começo de mais um semestre.
Mas fica a dúvida, e se não for
"coisa à toa"?
É,
ignorance is bless.

11.8.09

Vida.mp3

É sério.
Sei que não sou o único.
Muitos por aí tem a trilha sonora da própria vida.
Muitos por aí andam pelas ruas ouvindo suas músicas favoritas e cantarolando pela rua.
Muitos se empolgam com uma música perfeita pro seu momento e andam animados pela rua, sorrindo para o horizonte.
Sorrindo, pulando, cantando alto e errado pela rua.
E o mp3 no ouvido.

Cada temporada da vida tem uma música.
Uma trilha sonora.
De uns tempos pra cá organizei essas temporadas, temporalmente falando.
Minha quinta temporada está à todo vapor.
E quem faz parte dela?
MGMT. Conor Oberst. The Kooks.
Peter Doherty. The Killers.
E o retorno de Rob Thomas e Matchbox Twenty pra voltar a dar mais sentido à minha vida.
Enfim... Tô muito bem acompanhado.

A temporada passou pela primeira parada.
O exato meio da temporada: Julho.

Depois mais seis meses e acabou. Passa muito rápido.
Mas uma boa trilha sonora deixa tudo melhor.
Até mesmo essa rapidez.

É isso aí, ligue seu mp3, bote os fones no ouvido.
Coloque na sua música do momento.
Ajuste no volume máximo.
Fique surdo.
Mas curta a sua temporada atual da vida.

*foto by IvanRyuji mesmo.

9.8.09

Explosão 2

Mantendo o assunto em pauta no blog [ãhn?] deixo a seguir uma composição que curto demais e tem tudo a ver com o tal momento de "explosão", mudanças etc e tal.

Creio que já comentei por aqui sobre essa banda: Terceira Edição.

Um som gostoso de se ouvir e com faixas bastante contagiantes, enfim, quem me conhece sabe como eu dificilmente curto bandas nacionais, sei lá porquê, mas Terceira Edição vale a pena.
Realmente.
Segue então "O Novo Segundo"!
[Não achei nenhum vídeo decente com a música, mas no meu Last tem! xD]




Se o passado é passado e o presente dói
O futuro é cheio de promessas
Um quebra-cabeça sem uma peça
Incompleto em sua explicação

Destino foi dito, e eu não fico calado
O futuro é um presente do passado
Do qual eu não serei escravo
E sim, o centro da nova explosão!

E o que vai acontecer quando tudo tiver fim?
Poucos sabem escutar
Muitos não deixam sentir...
Sentir... Sentir.... Sentir!!

7.8.09

Explosão

Quando as coisas vão bem é difícil esconder.

Algo explode dentro do peito.
Uma vontade de gritar. Berrar.
Cantar sua música favorita do momento à altos brados pela rua, sem se importar com mais ninguém.

A parte mais visível de tudo isso é a incrível incapacidade de se ficar de boca fechada.
Tá certo que em alguém que já fala demais [que nem eu] isso é mais difícil de perceber, mas ainda assim, é perceptível.
Qualquer pessoa que apareça se torna um amigo de infância.
E os verdadeiros amigos se tornam ouvintes cativos de algo que eu sei que os cansa demasiadamente.

Nem sei como descrever direito. É como se um balão de ar te inflasse e te deixasse flutuando e com o pensamento à mil e ao mesmo tempo em câmera lenta te mantivesse num estado de torpor totalmente consciente de seus atos.
Confuso, não?
É, eu disse que é difícil de explicar.
E olha que me considero bom pra caramba com as palavras!

A única coisa que sei que explica muito bem toda essa situação é: Explosão.
Algo explodindo dentro do peito.
Enxergo tudo explodindo devido à agitação.
Me vejo explodindo se não desacelerar.
Coisas do tipo.
E explodindo.