17.12.09

Ânsia Irracional

Dizem que não se sai do lugar sem se conhecer a si mesmo.
Dizem que é impossível viver e fazer a vida dar certo sem saber do que você é capaz de fazer, capaz de sentir, capaz de suportar.
Dizem que quem não se conhece está fadado ao fracasso. Em todos sentidos que ele possa se realizar.

Creio ser a prova viva de que boa parte dessas coisas é verdade.
A pior coisa que existe é se surpreender consigo mesmo. Sempre dizem que dos outros devemos esperar "de tudo", mas de si mesmo, sempre sabemos como vai acontecer.

Mentira.
No meu caso, pelo menos.

Há uns tempos percebo que não sou o mesmo que era antes.
Ou pior, penso se só agora estou sendo eu mesmo, despindo-me do que eu parecia ser anteriormente. Não sei.
Só sei que não é algo agradável.
Uma solidão estranha me sufoca. Me impede de agir, de pensar, de ser o que, outrora, pretendia ser. Encontro-me sem a consideração que antes eu não me importava, mas que agora sangro em sua ausência, enquanto a alma grita, clamando por uma existência menos aterradora.
Sinto essa ânsia por algo que vejo perfeitamente em minha mente, mas que não consigo explicar em palavras nem atos.
Realmente não é nada agradável.
E não tenho a mínima idéia de solução.

Aguardo. Não me importo em esperar, não tenho anseios que demandem tempo.
Indefinidamente esperarei por uma resposta que talvez já possa ter, mas que não tenho tal conhecimento. Uma espera irracional, por algo que pode mesmo não vir.

Dizem que tudo depende de si mesmo, mas... e quando não existe tal capacidade de decisão. Não há a possibilidade de domínio sobre o próprio eu.

Descarto tais pensamentos com dificuldade e volto-me a esperar.
Segurando essa ânsia irracional por algo que nunca me pareceu vital, mas que, em meu novo eu, não consigo viver sem, e que pareço perder um pedaço de mim mesmo à cada exausto dia que passa.
Um dia tal conhecimento me será obtido, ou ao mesmo, conseguirei ficar tranquilo sem que precise saber tais respostas...

12.12.09

Pecados Infantes

Não fui uma criança muito legal.
Fato.


Lembro-me recorridas vezes de coisas absurdas que fiz na época que dizem ser a "mais doce" de nossa vida.
Tá, sou meio dramático às vezes. Mas lembro-me muito bem de algumas passagens não muito "iluminadas" da minha vida infante.

Algo que realmente pode ter feito parte da vida de demais pessoas foi aquela febre dos Tazos e outra figurinhas colecionáveis que transformavam nós, pequenos garotinhos e garotinhas, em vorazes e fulminantes consumidores de salgadinhos, chicletes, chocolates e outras coisas nada saudáveis.

Acho que desde cedo, sempre fui metido à esperto.
E sempre dava um jeito de passar a mão nos pertences dos coleguinhas. Mesmo não tendo grande valor, na época, aquelas figurinhas e tazos ERAM a nossa vida.

Sei que devia me arrepender por passar a perna tantas vezes, mas nem me arrependo não. (6) Afinal, todo mundo tentava se dar bem naqueles jogos e era daquele jeito: "um dia você se dá bem, no outro dia você se fode".
Rotineira vida infante.

Saudosos tempos daquela preocupação sobre quantos tazos você ia voltar pra casa no dia, ou quantas figurinhas você precisava ganhar pra se dar bem naquele dia.
Essas talvez sejam as lembranças mais nítidas da época que estudei naquele predinho.
Saudoso predinho.
Uma correria só pra descer pro recreio.

E cada dia era uma criança que se estabacava no chão.


E na sala, bem, nem me lembro direito.
Sei que era um bom aluno [isso ninguém duvida, certo? xP] e "não-sei-porquê" me lembro de certa vez, numa aula de Ciências Sociais, Ela se levantou.
Sentava do outro lado da classe. Veio andando até o lado da parede, onde eu me sentava e disse algo do tipo: "Ah, você entende essa aula. Vou estudar com você."

Acho que me inflei, talvez um pouco demais, vai saber... [hoje me conheço, né.. xD]


Não lembro se teve algum estudo ou foi só uma frase solta no ar ou mesmo se tal coisa realmente aconteceu...
Mas, às vezes, me lembro disso.
Ah, que saudade daqueles pequenos pecados infantes.

1.12.09

Ambiente Ritmado

Acordar às nove e ter preguiça de levantar. Ouvir uma canção do dia. Mais uma. Mais outra. E assim vai durante todo o dia.
Ir pra faculdade e encontrar poucas almas que te alegram. Sim, poucas. E não me venha com as amizades faladas, pois prefiro as amizades sentidas.
Sentar em bancos de concreto e tocos de árvore esperando o céu nublado despencar numa fina garoa que destrói teu frágil guarda-chuva. Cai, chuva, cai. Rápido e friamente.
Chuva que dura poucos minutos.
O abrir e fechar da sombrinha te toma mais tempo. Deixe-se molhar. Deixe-se sentir a água sobre a pele, umedecendo a roupa e os cabelos. Deixe.
O cheiro de terra molhada e um calor ainda mais intenso se elevam do chão, mas ninguém se importa. Pra que se importar?
Me importo comigo. Se importe com você. Eles irão se importar consigo mesmo.
E nada mais vai importar, e nem será necessário.
Esse ritmo lento me consome. E me dá novo alento.
Calmaria, onde? Quero ser levado pela tediosidade, mas monotonia me cansa e logo me cansarei de você também.
Entre a calmaria de uma laguna e um mar agitado só consigo lembrar dos malditos foraminíferos planctônicos, boiando no espelho d'água.
Ok, talvez eu seja mesmo um cabeça dura, mas quero aproveitar enquanto as ondas ainda conseguem me fazer flutuar. Quero sentir esse torpor até antes que o mar não possa me transportar e eu me aloje em algum canto desse caminho.
Até lá, sim, prefiro ficar nessa loucura movimentada.
Sem ela, não.