24.10.10

Fogo

Tenho certeza que o sol brilha pra todos, mas eu sou um dos que insiste em nunca tirar os óculos escuros.
Como a chama da Fênix, o sol brilha sobre as mentiras e idiossincrasias desprezíveis que me fazem ser o que sou. Um brilho sobre a solidão que a deixa em sombras.
A solidão é algo construído por partes.
Como se cada péssima ação que se cometesse te deixasse um passo mais próximo de estar só com você mesmo. Solidão, esquecimento, isolamento.

É algo estranho, como ser esquecido por amigos e inimigos. Com uma perversa lógica da parte de cada um.
Dos inimigos, é sempre mais simples. Porque eu mato meus inimigos. Sempre.
Não literalmente, claro, mas no subconsciente.
Busco sempre agir de acordo comigo mesmo, sem pensar nas ações de adversários, como se eu fosse mais responsável por mim mesmo do que eles. O que não deixa de ser verdade.
Aos amigos, porém, sobra a pior das partes.
Não sei como suportam-me com esse modo de ser. E como insisto meu modo de ser, nem percebo quando tudo vai pros ares.
E logo não há mais nenhum destes por perto.

Estranho como o tempo passa e é chegada uma hora de se retirar as lentes escuras, em pleno meio-dia, fazendo os olhos se umedecerem. O brilho dói e irrita, mas é algo a ser feito.
Assim como espadas forjadas de ferro em brasas, há de se sair do fogo.
Das chamas tornar-se renovado, tornar-se renascido.

8.10.10

Twitter Está Matando Meu Blog

Odeio cair no senso comum, mas preciso dizer [repetir] uma das coisas mais ditas e mais escutadas que existe: "O tempo está muito curto!"

Acho desnecessário dissertar sobre isso.
Todos devem entender do que estou falando.
Todos os afazeres e obrigações diárias nos atormentam e ocupam todo nosso tempo e, no fim, buscamos algumas poucas horas pra "relaxar" ou "curtir" que acabam se rareando aos ínfimos dois dias de cada fim de semana.

Sei lá, não ter tempo pra parar, respirar e pensar é algo que eu abomino.
Muito mesmo.
É imprescindível ter aquele tempo pra ouvir aquela voz que só fala na nossa cabeça e quando nada mais está atrapalhando.
Aquela voz que, na real, é nossa própria voz, mas eu gosto de pensar que parece outra pessoa me dando um "norte" de vez em quando...

No meu caso, vejo essa aceleração do contínuo espaço-tempo no quanto as coisas que me são caras estão cada vez mais com um tempo menor na rotina infernal que se instala.
Minhas postagens do blog se tornam cada vez mais raras e se espremem por entre tweets ao longo do dia.
No fim das contas, romantico-dramaticamente posso dizer que: "Meu twitter está matando meu blog".
E não sei se concordo com isso. [se concordo com a ação, fato está acontecendo mesmo...]

Na parte positiva dos últimos tempos, só deixo uma frase, de uma música da banda Suéteres [que meio que me tornei fã nesses últimos meses...]:
"Dó de quem troca um hoje por dois amanhãs,
perde quem troca um hoje por dois amanhãs..."

Uma releitura de toda a rotina frenética e umas reclamações apressadas pra não perder o costume. E nem abandonar o filho querido que é o blog.

Enfim, pararei de reclamar e tentarei viver o meu tempo aqui.