17.8.09

Imagens Embaçadas

Era uma baderna. Gritos, vivas, comemorações.
Rodas separadas de garotos e garotas enchiam a calçada e parte da rua, atrapalhando o trânsito, mas ninguém se importava.
Era realmente uma baderna.

Sujos dos pés à cabeça, os trinta e poucos novatos tentavam se reconhecer e conversar poucas palavras com os demais.
E, ao mesmo tempo, diversas outras pessoas os importunavam e exerciam o "poder merecido" sobre aqueles que ainda eram "reles iniciantes".


Mal me lembro das vozes e rostos felizes daquele momento.
Surgem em minha mente como imagens borradas, através de um espelho embaçado ou vozes cheias de ruídos como num rádio mal sintonizado.

O tempo se encarrega de te fazer focar no presente e delegar um ínfimo espaço da memória para se encaixar na posteridade.

Lembro-me mal e mal dos poucos ao meu redor.
A tinta secando à pele, o gosto de terra na boca, a lama escorrendo por dentro da camiseta.

Camiseta essa que joguei fora, ainda bem que não gostava tanto assim dela.
Realmente, era ridículo.
E ao mesmo tempo não parávamos de sorrir, mesmo contrafeitos e receosos com as coisas que se seguiria.

E então, um dos indivíduos atacantes segura-me pelo pulso e me puxa. "Ah, você vai conhecer suas companheiras de turma", diz ele com um sorriso maldoso. "Lá vêm...", imagino.
A roda se aproxima e as garotas se viram, tão sujas e destruídas como eu ou qualquer um dos outros rapazes, porém com os mesmos sorrisos tolos no rosto.
Mas o fato da falta de cabelo me deixa mais inseguro que o normal.
E isso já me basta.

Apresentam-nos e depois de uma curta troca de palavras, sinceramente, não gosto da primeira garota e o "tal indivíduo" me empurra pra segunda.
Uma rápida conversa engrena, passando por cachaças e pessoas de lugares longínquos, e uma simpatia aparece...
Mas na hora nunca damos atenção à isso, não é mesmo?
Só depois que o tempo age, os pequenos fatos de algo mais grandioso se delineiam, mostrando detalhes mal compreendidos, erros valorosos e virtudes absurdas.
Mas tudo, com certeza, já estava lá... por detrás de imagens embaçadas.
E só então, sim, nos prendem a atenção.

[Reminiscências vêm e vão em minha mente com uma velocidade e significado aleatórios, mas sim, é mais do que baseado em fatos reais.]

5 comentários:

Amanda disse...

meu Deus......q zona....hahah

O Menino do Balão disse...

cachaça boa mermão! HUAUSIHA

Tiago Júlio disse...

Cara, muito bom! A capacidade de se encantar achando, sutilmente, beleza e sentimentos bons no meio da merda e da confusão (do trote ou do mundo?) é uma habilidade invejável.

ó: tiagojulio.martins@hotmail.com
Se quiser conversar, sobre qualquer coisa, sem problema.

magic A. disse...

ahh, sim. Normalmente nunca damos atenção as coisas no inicio, mas penso que não é proposital. Pouquissimas pessoas conseguem decifrar relações de valor quando começam. A maioria das que tenho, não lembro onde começou ou em que troca de palavras se tornou insubstituivel. Ótimo texto *-*
bj

somebody disse...

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