3.2.09

"Revolutionary Road"

Viver espontaneamente, fazendo o que se deseja ou viver planejadamente, buscando o melhor pra se e pra aqueles que se gosta. Dois caminhos que considero opostos. Dois caminhos que pode-se perceber em "Revolutionary Road", no Brasil com o título de "Apenas Um Sonho".

Só através do trailer já dá pra perceber que será um filme forte.
Não apenas na questão de relacionamentos amorosos, mas também na questão de como encarar a vida. Ao mesmo tempo em que vemos os person
agens aparentemente contentes, com suas vidas em ordem, sem passar necessidades e formando o casal com uma rotina feliz, vislumbramos a dor e a frustração de não viver a vida realmente almejada.
Os alegres e jovens Wheeler personificam a vida perfeita nos Estados Unidos da década de 1950, morando numa grande e bela casa, número 115, da tranquila Revolutionary Road.

"Só sei, April, que quero sentir as coisas. Senti-las de verdade. Não é uma boa ambição?" clama Frank [Leonardo DiCaprio] antes de se casar e ter seus filhos com April [Kate Winslet].
É surreal perceber como as pessoas podem mudar
com o tempo.
Ou como nós mesmos podemos mudar.

Confesso que a situação do casal me provoca um certo medo sobre esse estágio da vida, m
as ao mesmo tempo nos passa dicas de ações e atitudes que os personagens cometem e acabam por destruir a relação.
Ou seja, é mais ou menos como "aprender com os erros dos outros".


Outro ponto que se percebe durante boa parte do filme é o preconceito presente na sociedade da época. Apesar de serem vistos como os "alegres e jovens Wheeler", o sonho que pretendem realizar é encarado por todos como uma ilusão, algo irreal e inconcebível.
"Apenas um sonho", como sussura April em uma das cenas.

Além disso, mostra-se também o quanto a própria vida pode ser ilusória.
Afinal, se eles estivessem realmente felizes não é necessário mudança.
Mas ao admitir a infelicidade é impossível permanecer nessa ilusão.
E vale, praticamente, tudo pra se ver livre dela.


Destaco, por fim, algo um pouco fora do contexto sério. A trilha sonora.

Anos 50.
Um pouco de jazz, um pouco de blues and country e pode-se perceber um pouco mais de animação do desconhecido rock n' roll??
Acredito que sim.
Curto muito esse estilo.
Ainda mais naquele ambiente escuro de barzinho em que os jovens casais se encontram e afogam as mágoas.
Ambiente perfeito.

"Revolutionary Road"
é um filme pra se colocar no lugar daqueles dois.

Aprender a pesar o possível com o almejado. Perceber o que é real e o que está fora de nosso alcance.
Enfim, isso foi o que eu absorvi.
Além de tudo, nem se percebe nesse casal em profunda crise um resquício do enamorado casal de um certo Titanic de anos atrás.
É, ponto pros dois também.
=P