23.6.08

O Garoto Que Não Sabia Perdoar.

Era uma vez um mundo muito distante. E era uma vez um garoto.
Era um garoto comum que gostava de ouvir música e ir ao cinema, que gostava de ler e escrever histórias, e que adorava séries de TV e conhecer novas pessoas. O único grande problema nesse garoto era que ele não sabia perdoar.
Ele tinha um ar adorável com as pessoas, uma boa educação, bons gestos e até gostava de ajudar as pessoas. Porém, apesar de tudo isso, ele tinha essa característica singular: não sabia perdoar.
O pobre garoto sempre que se deparava com uma decepção ou ilusão provocada por outra pessoa, se fechava em sua mente, seu mundo particular, e lá ficava não determinado a deixar aquele fato ser esquecido.
Não que ele demonstrasse tudo isso, não, o tal garoto nunca demonstrava sua irritação ou mesmo decepção ou sofrimento. Ás vezes parecia não sentir realmente nada e muitas vezes o próprio garoto se convencia disso. “O frígido e insensível ser de coração frio”, diziam os outros. Mas isso pouco importava para ele. Ou ele achava que não.
Muitos amigos ele havia perdido e muitas oportunidades tinham se dissipado por causa daquele fato e mesmo que muitos dissessem o contrário, aquilo não era culpa dele.
Realmente não era culpa do garoto.
Seu passado havia lhe ensinado a ser daquele jeito. À duras penas, é verdade, mas o garoto havia magnificamente aprendido a lição. As pessoas de seu passado condenaram-no a ser aquilo que era. “Maldito seja o passado!", pensava o garoto sem saber se realmente sentia aquilo.
Mas nem tudo estava acabado par
a aquele garoto. Certo dia ele entrou em outro mundo e encontrou novas pessoas. Entre essas outras pessoas, havia algumas iguais as que ele encontrava em seu mundo, outras semelhantes as que ele conhecia e outras totalmente diferentes de tudo que ele já havia encontrado.
As regras eram diferentes nesse mundo e como um novo amigo lhe disse: “Nesse mundo, todos têm uma segunda chance, desde que estejam dispostos a tentar”. E o garoto talvez estivesse. Não poderia dizer com certeza, mas algo nele lhe instigava a tentar ser diferente, ao mesmo tempo em que parte dele insistia em permanecer o mesmo de sempre.
Essa dúvida em sua mente, nunca cessou e duvido que um dia cessará, mas ao menos agora, nesse novo mundo a explorar, talvez o garoto pudesse ao menos aprender a perdoar, e a fazer tantas outras coisas que não sabia fazer em seu mundo.