14.11.09

Cinco Temporadas Atrás

Há cinco temporadas atrás, essa série de acontecimentos que chamo de vida era outra.
O ritmo, o cenário, o estilo, o cabelo, as companhias, os valores, as idéias e ideais.
Tudo.

Cinco temporadas atrás, ainda havia uma certa inocência a rastejar por esse mundo perdido. Ainda havia algo que me prendia às pessoas com maior facilidade.
Ainda havia alguma coisa que me resguardava do mundo e seus perigos.
Perigos e tentações. Liberdades que apenas podiam ser visualizadas na imaginação.
Sonhos. Coisas de cinco temporadas atrás.

Cinco temporadas atrás, em sua última visita à esse mundo, Eros perdeu uma valorosa batalha e provocou a perda de seu bem maior.
"Bem Maior" - tão clichê.
O mundo mudou desde então.
As cores desbotaram e morreram para nascer novamente. As árvores e flores morreram e caíram mortas e secas ao chão para depois permitirem uma nova florada.
E como árvores reais, não surgem do dia para a noite. Foi necessário tempo e paciência, mas em cinco temporadas tudo pareceu se reerguer.
Não era mais o mesmo, mas no mesmo lugar tudo renasceu. Com certeza não era o mesmo, mas os resquícios de uma batalha sangrenta ainda podiam ser vistos.
E deveriam. Afinal, da dor de ontem evitamos os erros de amanhã.
A dor de cinco temporadas atrás provocou a responsabilidade de hoje.

Depois de cinco temporadas, a estrada de todo dia mudou.
Os pesados paralelepípedos que te deixavam tremendo ao andar de bicicleta na rua foram substituídos por uma larga camada de asfalto, extremamente quente em dias de sol, insuportavelmente lisos e ocupados por uma enorme quantidade de automóveis e outros veículos.
Os rostos, tampouco, não são mais os mesmos. E são muitos mais, com certeza.

Parece que o avanço exponencial do tempo trouxe muito mais do que novas experiências, foram muito mais contatos e pessoas que viveram o presente e se foram.

Ou viveram o presente e ainda estão presentes.
E, sinceramente, quero que nunca deixem de estar.


Mas há cinco temporadas, nada disso podia ser visualizado.
Havia apenas garotos e garotas. Idiotas no seu tempo, com futuros brilhantes e obscuros. Vidas interessantes ou bizarramente tediosas que preencheram temporadas de momentos ora incríveis, ora terríveis.

O mais estranho é o modo como as memórias costumam retornar ao presente e se configurar como um possível aviso do que está prestes a acontecer.

Tenso, não?


Pois, há cinco temporadas, a inocência foi deixada de lado e um caminho independente foi trilhado. Mas nada nunca fica independente para sempre, ou talvez fique e ninguém saiba, afinal, ninguém estará aqui para sempre.

O caráter de um ou outro personagens parecem se mesclar, nessa variação temporal do presente e passado, fazendo tudo mais confuso. A vítima nunca é só uma vítima, o carrasco nunca é somente um carrasco.
Como sempre dizem:
"Há Luz e Trevas em todos".

Há cinco temporadas atrás, nunca me colocaria a pensar tais coisas, em tempo algum.
A famigerada quarta dimensão realmente tem um poder assustadoramente real. Tenso.

2 comentários:

Amanda disse...

lindo......palmas pra vc......
só entendi a parte da luz e trevas la mais td bem.....ahhahahah

se vc ta colapsado escrevendo assim, permaneça colapsado e continue vivendo...

wellington disse...

e ae ivan! belo trabalho com o blog!